O Sporting Clube da Praia considera-se indisponível para disputar qualquer um dos dois jogos da final do campeonato nacional de futebol depois de 31 de Julho, mas livre para jogar no meio da semana, antes desta data.


A decisão foi anunciada hoje, em conferência de imprensa pelo presidente do clube, Carlos Caetano, na sequência da deliberação da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), que considerou “improcedente” o processo instaurado ao Ultramarina em relacção ao jogo da primeira mão das meias-finais do campeonato nacional de Cabo Verde, em São Nicolau, “inviabilizado pela falta de chaves dos portões do Estádio”.
Entretanto, em jogo da segunda mão das meias-finais, realizada em São Vicente sem que a primeira fosse realizada, a equipa da Ultramarina venceu o Mindelense por 2-0, mas com esta sentença, o jogo da primeira-mão da final, previsto para este sábado, 15, volta a ser adiado para uma nova dada a indicar.
“Em concertação com todos os membros da direcção, a equipa técnica e jogadores, tomamos a decisão de não jogar depois de 31 de Julho. O Sporting está disponível para jogar qualquer jogo, mesmo sendo no meio da semana”, disse, sublinhando que a sua equipa já tem o seu lugar assegurado na final da edição 2017/18, desde 01 de Julho, em que eliminou a Académica do Porto Novo com vitória por 1-0 na Várzea, após empate a uma bola em Santo Antão.
Segundo o presidente do clube, que esteve acompanhando na conferência por membros do conselho directivo e do treinador Lito Aguiar, os sucessivos adiamentos do jogo da primeira mão em São Nicolau aconteceram porque a FCF “não soube conduzir este processo”, frisando que “o mais grave” foi ter marcado o jogo da segunda mão sem que houvesse uma decisão em relação à primeira mão.
Neste sentido, o clube já solicitou à federação para comunicar o desfecho das meias-finais entre Ultramarina e Mindelense e marcar “definitivamente” o jogo da final do campeonato nacional de futebol, assim como assumir todos os encargos que resultar desse atraso, já que o Sporting vai ter problemas financeiros “gravíssimos” e um acréscimo de quase 400 contos de despesas, até ao momento.
Com esta decisão do clube da Cidade Praia, Cabo Verde corre o risco de ficar sem um campeão nacional de futebol nesta época desportiva, algo que não acontecia desde 1985, tendo a direcção argumentado que o “mais prejudicado” com a situação é o Sporting da Praia, acrescentando que a própria federação deverá reflectir e assumir as suas responsabilidades e avaliar a dimensão das “falhas cometidas” e tirar as ilações, nomeadamente se deverá demitir-se.
Por sua vez, o treinador mostrou-se “entristecido” com a situação e penosa para os atletas que estão em final da época, porque ninguém estava à espera, sublinhando a dificuldade de se preparar um jogo, o que fica “mais difícil” quando não se conhece a data da sua realização e o adversário.
“Com todo o esforço que já foi feito deste o início da época e não saber como vai terminar, é quase o trabalho de uma época deitado no lixo, se não se realizar a final, por erros de terceiros”, observou, ressaltando que enquanto isso, a equipa técnica e os jogadores vão continuar o trabalho e focar no objectivo de ganhar o campeonato nacional
Por outro lado, a Inforpress, em São Vicente, contactou um jurista com “ampla experiência” em direito desportivo, que não quis ser identificado, para quem à FCF resta “baralhar e dar de novo”, nas suas palavras, ou seja, voltar a marcar novas datas para as meias-finais entre a Ultramarina e o Mindelense.
“O tal jogo da 2ª mão realizado em São Vicente é nulo e sem efeito”, disse, categoricamente a mesma fonte, para quem cabe agora à FCF a última palavra, até porque, sustentou, o Mindelense não deverá recorrer de uma decisão que não lhe diz respeito.
 Fonte: Inforpress