É caso para se dizer que a vida dá muitas voltas.


A carreira profissional do cabo-verdiano Zé Luis está umbilicalmente ligada ao dr. João José, o Jota, que, após várias tentativas, o lançou na ribalta.

Em agosto de 2008 Zé Luis saiu da Ilha do Fogo para fazer testes no FC Porto e não foi aprovado. No ano subsequente, não passou na peneira do Benfica e do clube francês Le Havre. No verão de 2009, as boas relações do advogado luso-cabo-verdiano com o presidente António Fiuza abriram-lhe as portas no Gil Vicente. E de lá pra cá, tem sido uma história de suor e sucesso.

Nos juniores do clube de Barcelos, Zé Luis ganhava 300 euros + casa e comida. Na época 2010/11 sobe ao profissional e passa a auferir 1.500, euros. E é em janeiro de 2011 que ocorre a virada na sua carreira.

Eu vim a Barcelos para levá-lo para o Novara, clube italiano que subiria nesse ano à seria A, mas António Salvador, presidente do SC de Braga, apoiado pelo patrocinador comum, a empresa de segurança 2045, anticipa e contrata-o por 500.000 euros, dando-lhe um salário de 4.000 euros/mês. Zé Luis, que tem como inspiração profissional o compatriota Rolando, declara eufórico ao semanário cabo-verdiano Expresso das Ilhas. Parecia premonitório:

‘Sigo os conselhos do meu agente, que é o mesmo de Rolando, que relata os sofrimentos que o jogador viveu antes de chegar aonde está. Rolando é uma motivação para mim porque vejo um futebolista cabo-verdiano que antes de chegar ao topo passou por muitas vicissitudes.’

Em 2015, após voltar a passar pelo Gil Vicente e pelo Videoton, por empréstimo, Zé Luis é vendido ao Spartak Moscovo por 6.500.000 de euros, com um contrato de 800.000/ano livre de impostos. Jackpot.

A transferência vira assunto nacional em Cabo Verde: é a primeira vez que um clube das ilhas – a Académica do Fogo – irá receber a chamada contribuição de solidariedade prevista no regulamento FIFA.

Zé Luis volta amanhã para Moscovo e ainda que o acordo esteja longe de conclusão, o FC do Porto pode contar com um fator suplementar na eventual volta do avançado cabo-verdiano a Portugal. Zé Luis é pai de duas crianças que vivem com a mãe em Barcelos, e a saudade dos filhos aperta.
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