
Biniam Girmay fez história ao se tornar o primeiro ciclista africano a conquistar a camisa verde no Tour de France.
O ciclista profissional da Eritreia, de 24 anos, consegiu o feito depois de um hat-trick de impressionantes vitórias em etapas de sprint nas primeiras duas semanas de corrida.
Uma vitória que marca um marco significativo, não apenas para Girmay, mas também para o ciclismo africano como um todo, destacando o talento e o potencial emergentes do continente no cenário global.
Recorde-se que, após se tornar no primeiro negro africano a vencer uma etapa no Giro d’Italia, conseguiu no início deste mês, tornar-se no primeiro corredor negro africano a vencer uma etapa do Tour de France.
Sobre Girmay
Girmay cresceu na capital da Eritreia, Asmara, e apaixonou-se pelo ciclismo ao ver todos os anos o Tour de France na televisão.
Diz que tinha autocolantes dos seus heróis do ciclismo, Mark Cavendish e Peter Sagan, na parede do seu quarto e inspirou-se em nomes como o eritreu Daniel Teklehaimanot, que se tornou o primeiro ciclista a representar o seu país nos Jogos Olímpicos de 2012.
Aos 18 anos, mudou-se para o Centro Mundial de Ciclismo da UCI, nos Alpes Suíços, de acordo com a Cycling Weekly, mas demorou a adaptar-se à vida longe de África.
“Durante um ano quase não fiz nada porque precisava de aprender”, disse, pela Cycling Weekly.
“Eu não sabia nada sobre a Europa, era totalmente diferente da Eritreia. Precisava de aprender inglês, aprender a linguagem do ciclismo, e isso demora um pouco.”
Depois de uma carreira júnior de sucesso, Girmay não tardou a estar com os seus heróis e começou a destacar-se após se juntar à Intermarche-Wanty em 2021.
Tem agora contrato com a equipa até 2026.
“Estou convencido de que os meus compatriotas ficarão felizes por saber que o meu futuro está interligado com a equipa que me deu a oportunidade de escrever páginas importantes da história do ciclismo africano”, disse após assinar o seu contrato de longa duração.
“É uma combinação vencedora que, esperamos, levará a muitos outros momentos inesquecíveis nos próximos anos.”
Em 2022, Girmay tornou-se o primeiro negro africano a vencer uma etapa de um dos Grand Tours do ciclismo ao superar os seus rivais na 10ª etapa do Giro d'Italia.
Foi um momento que Girmay nunca esquecerá, tanto por boas como por más razões.
Mais tarde, nesse mesmo dia, o então jovem de 22 anos teve de abandonar a corrida depois de uma rolha de prosecco lhe ter explodido no olho esquerdo no pódio.
“Não consigo acreditar no sucesso que teve neste curto período”, disse o lendário ciclista eritreu Teklehaimanot sobre Girmay no início deste ano.
“Os seus sprints com os grandes pilotos do mundo, em tão pouco tempo, é o seu talento, que considero brilhante.”
Histórico no Tour de France
Girmay estreou-se no Tour de France no ano passado e queria aproveitar a corrida deste ano para aumentar ainda mais a sua experiência de competir contra um pelotão de classe mundial.
Ganhar uma etapa, diz, nunca foi realmente o plano. No entanto, o eritreu fez história no dia 1 de julho ao avançar em sprint no final da terceira etapa do Tour deste ano, tornando-se o primeiro negro africano a vencer uma etapa.
Apenas dois outros corredores africanos, Robbie Hunter e Daryl Impey, da África do Sul, ambos brancos, já tinham vencido etapas na Volta a França, segundo a Reuters.
“Fazer parte do Tour de France já é incrível. Sonhava participar e agora não consigo controlar as minhas emoções”, disse um emocionado Girmay após a sua primeira vitória, à Reuters.
“Com o meu primeiro Tour no ano passado, adquiri experiência e consigo gerir tudo melhor. Ganhar hoje é inacreditável.”
Desde então, conquistou vitórias nas etapas 8 e 12, conquistas que espera que abram caminho para a próxima geração de jovens pilotos negros seguirem.
“Ser um dos grandes símbolos dos africanos, uma grande pressão que conheço, mas por outro lado, é realmente poderoso pressionar-me”, disse Girmay ao Eurosport.
O ciclista sofreu, no entanto, uma queda durante a Etapa 16, na terça-feira, que abriu a corrida à camisola verde – usada pelo líder da classificação por pontos – que Girmay tem atualmente.
“Hoje, para ser sincero, doíam-me muito o cotovelo e o joelho, principalmente o cotovelo, porque com os pontos não me conseguia mexer muito bem”, disse na quarta-feira.
“Sempre o dia seguinte é o mais difícil, sente-se dor e não é bom dormir, mas mentalmente estou muito motivado, por isso deu-me muita força.”
ADP/cnn/CrioloSports
