Luís Manuel Lopes Pires nasceu em 14 de Janeiro de 1962, em S Filipe na ilha do Fogo.


Este professor de carreira deixou suas marcas indeléveis no futebol da ilha do vulcão.

Um amante do desporto rei, Mane de Lulucha como é sobejamente conhecido no mundo do futebol, foi presidente do Vulcânico em 1994 e deu a esta equipa o seu primeiro título pós independência.

Mané de Lulucha começou a amealhar títulos na qualidade de treinador e foram três anos seguidos e nas três equipas grandes do Fogo.

Em 2004 à frente da equipa técnica do Vulcânico, na Académica em 2005 e em 2006 pelo Botafogo. Proeza impar na ilha do vulcão.

Este treinador foi ainda o primeiro a representar Fogo na Taça Cabo Verde no comando técnico do Spartak em 2007.

Mas tal como todos os campeões houve momentos menos bons na carreira de Mane de Lulucha.

Em 2011 foi vice-campeão regional no Vulcânico perdendo o campeonato por uma bola no confronto directo com a Académica.

Após esse desaire, de Lulucha afastou-se dos relvados por 6 anos e regressou na época futebolística 2017/2018 onde liderou o Nova Era que, nesse ano, foi considerada equipa revelação.

 Diante desse resultado positivo a nova direção do Botafogo convidou Mané de Lulucha para comandar a equipa técnica, convite prontamente aceite pelo treinador.

Este ano tudo indicava que Mané de Lulucha iria acumular mais um título no Botafogo.

Um plantel renovado pois mais de metade dos 25 eram caras novas, para ser mais exacto, 13 jogadores foram contratados e 12 já faziam parte do esqueleto da época passada.

Quem assistiu aos jogos do Botafogo este ano pode ver claramente a obra do treinador…muita circulação de bola, rápido no contra ataque e poder de contenção.

Aliás, o Botafogo ate à antepenúltima jornada tinha a melhor defesa do regional. Foi um dos melhores campeonatos dos alve e negros dos últimos anos mas o título voltou a escapar por entre os dedos a 3 jornadas do fim.

Desta impressionante carreira de Mané de Lulucha constam ainda a criação da escola de futebol da Bornefonden de onde saíram nomes reconhecidos do futebol da ilha como Platini, jardel, Zelito, Kutxutxa, Deny dos vulcânicos, Já e Rodrigo do actual Botafogo entre vários outros que foram lançados no futebol sénior por ele e outros colaboradores como Victor de Gaby, Tupala, Lucindin, Fernando, Dimi, Bebeto de Lem e Filipe, Celio, Bob, Gugu, Fifa... Dados que, com toda certeza, colocam Mané de Lulucha como um dos mais importantes técnicos do futebol foguense.

Com esta carreira recheada de sucessos e de marcas que permanecerão na memória de todos, acreditamos que o futebol foguense e o Botafogo tem ainda muito a ganhar com a experiência deste campeão e a visão apurada deste técnico.

Apesar do seu estado de saúde e recomendações médicas para se manter afastado do ambiente frenético e por vezes estressante do futebol, acreditamos ser possível trabalhar no sentido de criar uma atmosfera calma e favorável para que Mané de Lulucha possa continuar a trabalhar e dar ao Botafogo a alegria de voltar aos títulos 11 anos após o último.

Esperemos no futuro vir a celebrar muitos mais títulos ao lado deste professor reformado que nunca será esquecido como técnico de futebol.

Aos que tiveram a sorte de trabalhar com Mané de Lulucha ou vê-lo em ação podemos considera-los pessoas de sorte e o Botafogo não tem adjetivos suficientes para qualificar o trabalho deste grande técnico.

Só nos resta dizer obrigado, obrigado e obrigado.
Samuel Lopes