Baessa: Uma vida carregada de lutas e conquistas


Quem o vê na labuta diária na delegação das Finanças do Mindelo não imagina que tem à sua frente uma história de lutas e conquistas do futebol cabo-verdiano. Ele é Luís Fortunato Oliveira, mas todos o conhecem por Baessa, nome que herdou do seu pai, também ele uma figura lendária do futebol nacional.


Por 14 vezes campeão regional e detentor de nove títulos nacionais ao serviço do Clube Sportivo Mindelense, Baessa é hoje, aos 54 anos, coordenador e monitor da escola de Futebol da Associação Desportiva e Recreativa Vasquianos, no bairro da Bela Vista, onde mora. É com saudade que recorda os tempos áureos e de glória.

“Comecei a jogar no Mindelense com 16 anos e fiquei na equipa até completar 34 anos. Quando entrei, fui logo para a equipa principal, porque já tinha adquirido algumas valências nos “jogos de fralda” que então eram muito competitivos: ninguém gostava de perder. A equipa do Mindelense tinha excelentes jogadores, mas não foi difícil integrar-me”, conta Baessa.

Amor à camisola, raça, determinação, resistência e robustez foram as características que fizeram dele um dos melhores jogadores da sua época. Ora como médio-centro, ora como médio-ala, Baessa despejava toda a equipa do Mindelense na área do seu adversário, entretanto empurrada para a defesa.

“Fazia tudo para agradar aos adeptos que iam para o campo de “Funtinha” e dava o máximo para que a minha equipa saísse vencedora. Respeitava os adversários, mas inventava as melhores jogadas para conseguir vencer”, conta o ex-leão os “rugidos” que faziam levantar São Vicente e Cabo Verde. Baessa também aponta Almara (actual treinador do Mindelense), Cadine, Mané Djodje e o falecido Djack como jogadores da “geração glória do Mindelense”.

Um dos momentos mais emocionantes da sua carreira, diz Baessa, foi um jogo entre os Leões de Rua D’ Praia e a Académica do Mindelo, que disputavam o regional de São Vicente na década de 80.

“Estávamos na última jornada e não tínhamos sofrido nenhum golo. Mas nesse jogo, a Académica entrou a marcar. Empatámos, marcaram novamente e voltámos a empatar. O jogo terminou 2 a 2 e sagrámo-nos campeões. Se a Académica tivesse marcado mais um só golo seria campeão”, recorda esse leão de um vermelho inveterado, de pura paixão pelo futebol. Talvez por isso, Baessa não entende a postura por jogadores actuais.

Crítico, vai dizendo: “A atitude dos jogadores actuais é diferente da postura dos antigos. Acho que encaram os jogos com muita passividade e não se valorizam. Se a atitude fosse outra, poderiam ganhar mais, agora que o futebol é remunerado. Acho que se jogam para receber um salário, têm de se dedicar mais e seguir à risca a disciplina do futebol federado”, aconselha Baessa.

Além dos títulos como jogador, Baessa também já foi campeão como treinador do Mindelense. Mas, diz, “preferiria continuar como jogador e não como treinador. Como jogador teria mais capacidade de resolver o que se passa dentro do campo, mas a minha era terminou”.

Mas mesmo fora das quatro linhas, Baessa continua activo no futebol.
Carina David