Depois de ter sido assistido e suturado a frio com 6 pontos durante o intevalo do encontro frente ao Senegal no torneio da Zona II de 1996, Vitocas regressou ao jogo, ajudando Cabo Verde a conquistar o seu primeiro triunfo internacional de sempre.


A carreira deste que é considerado um dos melhores de sempre do basquetebol cabo-verdiano, começou ligeiramente tarde.

Aos 13 anos Victor Hugo Vera-Cruz Fortes, mais conhecido por Vitocas, teve o seu primeiro contacto com a modalidade.

Vitocas nasceu na cidade da Praia, mas até os 13 viveu entre São Vicente, Boa Vista, Sal e Fogo. Aos treze anos chegou ao liceu Domingos Ramos e conheceu a modalidade que iria mudar a sua vida.

Os primeiros toques deste craque, aconteceu ao serviço do Seven Stars, mas depois de mudar-se para Achada Santo António, mas precisamente no Prédio, trocou a Seven pela equipa local, onde aprendeu mais sobre o basquetebol.

Os primeiros anos foram naturalmente difíceis, mas cedo Vitocas começou por aprender e apanhou os truques e ritmos da modalidade. Humilde mas sempre muito atento soube esperar pacientemente para a sua estreia na equipa seniores, ainda com idade de juniores.

Aquele jovem franzino que no início nem tocava na parte inferior da tabela do liceu da Praia, cresceu e começou até por afundar. No Prédio ganhou respeito e cobiça das outras equipas.

Em apenas quatro anos de basquetebol, Vitocas foi convocado pelo treinador Claude Constantino a fazer parte da seleção nacional. Que privilégio poder estar ao lado de Djony, Ricó e Zé Anguila. A partir daqui foi sempre a melhorar até ser titular e jogador imprescindível da seleção.

No Seven Stars, o nosso craque também começou por despontar ao lado de jogadores como Armando, Lito, Djino, e Fefa quase todos colegas da seleção.

Na equipa nacional a concorrência era grande mas Vitocas, assim como na sua antiga equipa, sereno escutava e aprendia para em 2 anos estar a titular no torneio da Zona II de 1991.

No Seven Stars, Victor Hugo Fortes, participou em vários encontros internacionais realizados em Cabo Verde frente a extinta equipa da TAP. A prestação de Vitocas frente aos portugueses foi sempre muito boa e regular que levou a TAP a contrata-lo para a sua estreia como profissional.

Em Portugal as coisas não saíram tão bem. A TAP em menos de um ano desistiu da equipa profissional e Vitocas mudou-se para o Cruz Quebradense, na Cruz Quebrada, na linha de Cascais.

Na SIMECQ Vitocas jogou quatro épocas onde sagrou-se campeão da segunda divisão B, feito que a equipa da SIMECQ nunca vencerá em mais de 100 anos de história.

Hoje Vitocas é lembrado como um filho da Cruz Quebrada onde foi convidado recentemente para as celebrações dos 130 anos da Sociedade Instrução Musical Escolar Cruz Quebradense.

Na seleção, Vitocas regressa a Cabo Verde para o torneio da Zona II de 1996. Este torneio deixou marcas grandes em Vitocas. Marcas emocionais com a conquista dos troféus de melhor marcador e de melhor jogador. Mas o torneio conquistado por Cabo Verde, deixou também marcas a níveis físico. Vitocas, antes do intervalo do jogo da final frente ao Senegal, afundou sobre um senegalês mas não consegui segurar com força suficiente no ar e caiu de frente, cortando no queixo.

No intervalo foi assistido e suturado a frio com 6 pontos. Quando todos esperavam a desistência do jogo por parte do camisola 9, Vitocas regressa ao jogo a meio da segunda parte e ajudou Cabo Verde a conquistar o seu primeiro triunfo internacional de sempre de uma equipa nacional. 

Depois da Zona II Cabo Verde passa a ser conhecido a nível africano e começaram as participações nos Afrobasket. Primeiro de Dakar 97 e dois anos depois em Angola 99. Nessas duas edições Vitocas esteve sempre no TOP 10 dos marcadores.

Em Cabo Verde Vitocas dominou nas equipas que jogou, conquistando outros tantos títulos no Seven Stars antes de mudar-se para a equipa encarnada do ABC onde ajudou a conquistar vários títulos regionais e nacionais.

Em 2007, já com 36 anos, Vitocas foi convocado por Emanuel Trovoada – Mané – para regressar a Angola e para o Afrobasket deste ano.

Cabo Verde voltou a brilhar ficando pelo terceiro lugar. O bronze teve sabor a ouro para todo o país e Vitocas despediu-se em grande da alta competição.

Com 42 anos regressou ao Prédio onde além de jogar transmitiu toda a sua experiência aos mais jovens.

Formado em Ciências da Comunicação, hoje, com 47 anos, é jornalista da RTC, GreenStudio e GreenSports.
CS