Simão Mendes, mais conhecido por Papá de Sacorro ou Papá  de Botafogo, faleceu, aos 63 anos, no dia 27 de Março de 2013, no serviço de urgência do hospital regional de São Filipe, vítima de doença prolongada.


Nascido a 16 de Março de 1950 na cidade de São Filipe, Papá di Sacorro, era conhecido pelas suas qualidades como ponta-de-lance do Botafogo e pelo comportamento admirável dentro das quatro linhas.

Foram centenas de golos (cerca de 350 golos) com a assinatura daquele que foi um temido ponta-de-lança das décadas 70 e 80.

Segundo os colegas de campo, um ponta-de-lança como poucos em Cabo Verde.

O goleador foguense das décadas de 70 e 80, começou a jogar no Sporting. Depois passou para o Juventude, antes de partir para Portugal para cumprir o serviço militar.

De Portugal foi enviado para Angola, onde permaneceu dois anos, 1971 a 1973.

Em 1974 ingressou o Botafogo, clube de sua eleição, onde foi uma vez campeão nacional, na época de 80, o único Campeão Nacional conquistado até hoje no escalão senior por uma equipa da Ilha do Vulcão.

Foto: Facebook de Marcos Fonseca - Jornalista

O Botofogo, com Nelo, Balalam, Ramiro, Palapa, Djudjuca, Totinho, Djedje, Loloti, Conthe, Maruca, …, foi a São Vicente, e derrotou, em pleno Estádio da Fontinha, a poderosa equipa do Mindelense por 2-1, no prolongamento, após empate a uma bola durante o tempo regulamentar.

Foi ainda três vezes vice-campeão nacional, onze vezes campeão regional do Fogo, dez vezes melhor marcador do regional da Ilha do Fogo (oito vez consecutivos, de 1975 a 1983) e conquistou por seis vezes consecutivos o torneio de Nho São Filipe.

Depois de pendurar as botas, em 1990, aos 40 anos, foi treinador do Botafogo por seis anos.

Treinou igualmente Vulcânico, Spartak, Seleção dos Mosteiros e Juventude.

Independentemente da equipa que treinava, Papá de Sacorro, era respeitado por todos, era um senhor do Futebol.

A luta contra diabetes lhe custou a amputação das duas pernas, mas nem por isso desistiu da sua paixão pelo futebol.

Até as vésperas da sua morte o homem, o símbolo eterno do Botafogo, que destacou-se pelas inegáveis qualidades como atleta e desportista cujo comportamento exemplar foi admirado e respeitado pelos colegas, companheiros de equipa, árbitros, actuais jogadores e até rivais, teimou em passar o seu conhecimento sobre a modalidade aos mais jovens e não só.

De salientar que era ainda um dinamizador da cultura do Fogo, conhecido como um dos mais tradicionais festeiros da bandeira do Nho São João Baptista.

Trabalhou na extinta Empresa Pública de Abastecimento (EMPA) e foi igualmente deputado municipal e vereador da Câmara de São Filipe.
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