Nascido a 26 de agosto de 1935, em Quilmes, Argentina, filho do cabo-verdiano Faustino Ramos Delgado, natural de São Vicente, Ramos Delgado,  iniciou a carreira, em 1956, aos 20 anos,  no Lanús, uma equipa que nos dois anos seguintes conseguiu ótimos resultados, a ponto de ser denominada “Los Globetrotters” e ficar perto de conquistar o título argentino.


Suas atuações firmes, sóbrias, o colocaram na lista dos convocados para a Copa de 1958 (não jogou), na Suécia, e chamaram a atenção do River Plate, clube do seu coração, que o contratou em 1959.

Nos seus sete anos no River, até 1965, tornou-se num ídolo do futebol argentino. 

Seu talento para desarmar os adversários sem usar violência e a classe para sair jogando conquistaram os adeptos.

Participou novamente na Copa do Mundo de 1962, no Chile, e foi capitão na conquista da Taça das Nações, em 1965.

Foi capitão da seleção da Argentina nas eliminatórias para a Copa de 1966, a qual não conseguiu dar o seu contributo por lesão.

Aos 30 anos, considerado em final de carreira pelos dirigentes do clube, acabou indo parar no Banfield. Provavelmente já estava planeando sua aposentadoria quando recebeu um telefonema inesperado.

“Era do Santos. O Mauro Ramos de Oliveira estava parando e jogadores como Carlos Alberto, Gylmar e Pelé sugeriram que eu fosse contratato para substituí-lo. Eu conhecia bem os jogadores do Santos, que já tinha enfrentado tantas vezes, mas como poderia imaginar que aquela equipa que lotava os estádios onde jogasse, iria me chamar?”

Ramos Delgado contou essa história a dois jovens argentinos que o entrevistaram. Falou das qualidades incomparáveis de Pelé, da amizade com os jogadores do Santos e do carinho dos adeptos. Brincou que, talvez pela cor da pele, tenha sido muito bem tratado e se sentiu como um brasileiro.

Uma das façanhas de Ramos Delgado foi se manter titular do Santos, aos 33 anos, e deixar no banco de reservas o jovem Joel Camargo, de 22, na época titular da Seleção Brasileira que se preparava para a Copa de 1970.

Líder que sabia se impor pela técnica e, por que não, também pelo porte atlético de 1,81m e cerca de 78 quilos, Ramos Delgado comandou a defesa do Santos de 1967 a 1972 e conquistou, além de inúmeros torneios importantes, seis títulos oficiais: Campeonatos Paulistas de 1967, 1968 e 1969, Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Campeonato Brasileiro de 1968, Recopa Sul-americana e Recopa Mundial de 1968.

Jogou 323 jogos com a camisa do Santos e marcou apenas um gol, em 26 de maio de 1970, o primeiro, de pênalti, na vitória de 2 a 1 sobre o Allianza, de San Salvador, na América Central – jogo interrompido no segundo tempo devido às fortes chuvas. Naquele dia formou a dupla de central com outro craque, Djalma Dias.

Capitão do Santos, era considerado o braço direito de Pelé. Consta que Pelé é padrinho de uma de suas três filhas.

Ao sair do Santos, em 1973, o descendente cabo-verdiano ainda jogou na Portuguesa Santista.

Em seguida iniciou carreira de técnico nas categorias de base do Santos, passando à equipa profissional em 1977 e 1978.

De volta à Argentina, treinou 10 equipas, entre elas os grandes River Plate e Estudiantes. Voltou a comandar as equipes de base do Santos de 1993 a 2005.

Ao retornar ao seu país, foi viver em La Plata, com sua esposa, o que se prenunciava uma velhice tranquila. Mas os sintomas do Mal de Alzheimer rapidamente se tornaram severos.

O grande central, um dos melhores e mais queridos que o Santos teve em sua história, faleceu em 3 de dezembro de 2010, aos 75 anos.

ADP/santosfc
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