Armando Caetano Soares, mais conhecido por Armandim, nasceu a 22 de Maio de 1956, em São Vicente.


Iniciou a carreira de futebol federado em 1972 no Amarante, tendo jogado no clube por 4 anos, até 1976, destacando-se como um avançado muito técnico, com uma inteligência fora do comum e com grande poder de remate.

Depois de um conflito com a direcção do clube saiu, juntamente com mais atletas, e em 1977-78 rumou-se para Académica, onde conciliou as funções de jogador e treinador de juniores.

Teva ainda passagem pelo Sporting de Bubista, enquanto monitor naquela Ilha, clube que também foi treinador.

Regressaria mais tarde ao Amarante, onde conciliou as funções de jogador e treinador.

Apesar do talento fora do comum não era muito conhecido ainda fora da ilha de São Vicente. Até que foi participar em dois torneios na Ilha de Santiago como jogador da Académica.

José Antunes, “

Tóca”, ficou impressionado e logo convocou-o para a primeira seleção de Cabo Verde independente, criada em Abril de 1978, três anos após a independência.

Jogadores de várias ilhas concentraram em Tarrafal para o estágio e para se escolher os jogadores que iriam fazer parte da primeira seleção. Armandin foi um dos escolhidos.

Alinhou, juntamente com Djô de Pedra de Lumi(R.I.P), Dani, Mané Djodje, Flávio (Capitão), Djudjú; Branco, Makuna, Djoi di Mamã, Zé di Nhana e Cadino, no primeiro onze inicial de sempre da seleção após a independência.

Cabo Verde, treinado por Tóca e José Resende “Djidjé”, estreou-se em competições internacionais, organizada em Bissau, frente a Guiné Conakry, na época vice-campeã de África, em jogo da Taça Amizade, que foi o embrião para a criação da Taça Amílcar Cabral.

Figuraram ainda na primeira seleção nacional: Quim (R.I.P), Calú Pitão, Balão, Betinho, Dimas, Djédjé e Rubom (R.I.P).

Participou ainda na seleção de Cabo Verde num torneio internacional em Cabo Verde, com o Alcides Lima, Tchida, como treinador.

Por motivos profissionais (foi colocado na Ilha da Boa Vista como monitor) não conseguiu participar em mais jogos da seleção nacional.

Representou a seleção de São Vicente e ainda, foi como reforço, com o Mindelense para representar Cabo Verde em Angola.

Um atleta polivalente, para além do futebol, dedicou-se ainda ao Basquetebol e ao Andebol.

Foi escolhido para integrar a seleção de basquetebol de Cabo Verde.

Durante a formação em Cuba, escolheu o andebol como opção.

De regresso a Cabo Verde, em 1986, desenvolveu um trabalho com a JAAC, como formador de treinadores e árbitros de andebol.

Criou a equipa Académica do Alto, Alto Miramar, que depois transformou-se na Académica. Deu o seu apoio à equipa de Cruz João d’Évora e treinou a equipa feminina do Desportivo.

Ao mesmo tempo foi jogador da seleção de São Vicente num torneio que contou com a  participação das seleções da Praia e de Angola, que estava numa digressão.

Mas como a primeira opção era o futebol, não dava para conciliar as duas coisas, continuou ligado ao andebol mas somente a nível escolar.

Um conhecedor e estudante do desporto teve vários cargos de sucesso como treinador.

GD Amarante (São Vicente) época 1980/81
De pé: Zé Pickey (Cap), Rui Torres (Pre. Físico), Beto d'Gia, Argo, Orlando, Sax, Nhanha, Toy d'Casa, Tito Leão e Djon Guguta.
Agachados: Beto II, Babacha, Armandim (Treinador/Jogador), Miranda, Abel e Diamantino.

No futebol, para além da Académica, Sporting de Bubista e Amarante treinou Batuque, seleção de São Vicente e seleção de Cabo Verde.

Sagrou-se vencedor do Inter Ilhas com a seleção de São Vicente em 1992.

Foi duas vezes campeão nacional, uma com a Académica do Mindelo, em 1989, e com o Amarante, em 1999.

Foi bi-campeão regional de São Vicente pelo Batuque, em 2002 e 2003.

Foi treinador adjunto de Manuel Gonçalves (Lelela) e ainda de Alexander Platchacov na seleção de Cabo Verde.

Em 1992, já como treinador principal, foi vice-campeão da Taça Amílcar Cabral em Dakar, Senegal.

Em 1996, comandou a seleção nacional na Taça Amílcar Cabral de Mauritânia.

Com uma boa prestação, Cabo Verde conseguiu o terceiro lugar na prova.

Um formador de campeões, no andebol e Basquetebol, foi fundador e treinador de várias equipas.

Sagrou-se bi-campeão de São Vicente com a equipa júnior feminino do Amarante, clube que considera uma família.

Um homem nascido para o desporto. Apesar de problemas de saúde, continua de uma forma ou outra ligado ao deporto.

Foi homenageado em junho de 2018 pela Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), por ter feito parte da primeira seleção de Cabo Verde independente, por ter feito parte dos heróis que abriram o caminho e fizeram história, quando, pela primeira vez apareceu o nome de Cabo Verde em uma competição internacional de futebol.

Formado em educação física, é professor aposentado e vive em Mindelo, São Vicente.

ADP
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