A ilha de São Vicente não dispõe, até agora não, de uma pista de tartan, situação que tem deixado o presidente da Associação de Atletismo “muito desgostoso” e pensando em finalizar a carreira “muito em breve”.


São Vicente é uma ilha tradicionalmente de desporto, mas, segundo Arlindo Fonseca, tem perdido “muita hegemonia”, com as autoridades a priorizarem outras coisas.
“Está-se a gastar dezenas de milhares de contos em Carnaval, festivais, muitas vezes com apologia ao consumo de bebidas alcoólicas, mas para o desporto nada”, advogou o responsável, adiantando que este “desinteresse” também tem afectado o atletismo, até agora “despromovido de investimentos”, como por exemplo, uma pista de tartan.
Tudo isto em comparação com a ilha do Sal e a cidade da Praia que, ajuntou, têm pistas de tartan, onde os atletas “treinam à vontade”, enquanto no Mindelo existe uma “violência” de um espaço de treino de betão, no Estádio Adérito Sena, e com muitas “exigências”, entre as quais ter cartão de identificação e marcação de horas de treino.
“Quer dizer, temos de depender de um segurança e de um gestor de campo para um atleta treinar e depois numa pista que não satisfaz praticamente em nada”, criticou a mesma fonte, em entrevista à Inforpress, que disse “não aguentar mais” esta situação.
“Eu já me sinto tão desgostoso disto tudo, que posso dizer que estou em final de carreira, muito em breve”, assinalou, confirmando o desejo de deixar o atletismo em São Vicente com esta pista de “herança”, mas, “pelos vistos não”.
Arlindo Fonseca garantiu estar “cansado” desta batalha de há muito e que já considera ser uma “guerra perdida”.
“Ainda vamos ter lugares para Carnaval, praias reabilitadas para o festival, enquanto para o atletismo, se continuar assim, vai ser o zero a zero “, considerou , adiantando que este é um dos factores que têm “prejudicado muito” os atletas sanvicentinos, que, “apesar do empenho”, destacam-se em corrida de fundo, mas “ficam para trás” em termos de velocidade.
“Sem uma pista de tartan, teremos sempre um atletismo primitivo, de estrada, e já não estamos nos tempos primórdios da Grécia, precisamos evoluir”, assegurou, com a convicção de que este investimento seria a “melhor coisa” que as autoridades poderiam fazer em São Vicente.
Mas, conforme a mesma fonte, também é necessário permitir o acesso dos atletas ao campo, como “´ por exemplo no estádio na ilha do Sal, que está aberto desde das 5:00, para quem quiser treinar”.
Arlindo Fonseca criticou, por outro lado, o interregno feito na organização de uma gala de desporto em São Vicente, a primeira ilha a ter esta iniciativa da parte da câmara municipal e que agora, salientou, “não faz nada” para “incentivar e dar mais ânimo” aos seus atletas.
Inforpress