A Federação Cabo-verdiana de Basquetebol (FCB) considera que o Governo “ultrapassou todos os limites de coerência”, ao contactar a FIBA África para anular a sua decisão sobre a não participação nas eliminatórias da Afrobasket 2017.


De acordo com   um comunicado de imprensa divulgado hoje, a FCB considera que o Governo, através da Direcção-geral dos Desportos (DGD), optou por intervir no processo, apoiando uma “comissão de emergência ilegal”, criada para prejudicar todo o trabalho desenvolvido pela direcção.
“Esta é a postura do Ministério do Desporto perante uma federação eleita em reunião magna das associações regionais e pondo em causa todo o trabalho efectuado até agora para a criação de sustentabilidade da FCB, a todos os níveis”, lê-se comunicado.
Esclarece, ainda, que essa comissão de emergência ilegal foi criada com o consentimento do Ministério do Desporto, com a intenção de pressionar a FCB para mudar a sua posição, e “não tendo conseguido, decidiu contactar as associações regionais iludindo-as de que as condições financeiras para a participação de Cabo Verde estão criadas”.
Por outro lado, a FCB diz estranhar o facto de “num momento para outro” o Governo disponibilizar verba para custear a participação de Cabo Verde, indicando que esqueceu de atribuir fundos para liquidar toda a dívida da FCB, no valor estimado de 15 mil contos.
A FCB esclarece que essas dívidas acumuladas vêm desde 2011 até 2016, tendo a maior fatia pertencente a participação nas competições internacionais africanas de 2011, 2013 e 2015.
Contudo, justifica que a decisão de suspender a participação nas eliminatórias era para reestruturar as selecções nacionais e criar sustentabilidade financeira para suportar toda a estrutura federativa, bem como a “preparação condigna” da selecção a nível internacional.
“Esta decisão da FCB não foi entendida pelos jogadores seleccionáveis para as competições, pelo que entenderam reunir-se com o Ministério de Desporto, pressionando o Governo a intervir no processo, impondo à FCB a alteração da sua posição perante a FIBA”, frisa a direcção da federação.
E perante toda essa ingerência, avança o comunicado, a   direcção da FCB demite-se e solicita ao presidente da Assembleia-geral a marcação de assembleia-geral extraordinária para 25 de Março.
No início do mês, a FCB decidiu não inscrever a selecção nas eliminatórias do Afrobasket, alegando falta de dinheiro e dívidas da anterior direcção.
A decisão gerou muita polémica no país e não agradou principalmente os jogadores seleccionáveis, tendo um grupo de antigos atletas, liderados por Rodrigo Mascarenhas, iniciado contactos para formar uma equipa “Ad hoc” para liderar o basquetebol cabo-verdiano e ainda levar a selecção à fase de qualificação.
A situação levou o tribunal a penhorar alguns bens para saldar as dívidas contraídas pela federação, que nos 12 anos anteriores foi liderada por Kitana Cabral.
Perante essa situação, os membros da direcção da FCBB, liderados por André Delgado, colocaram os seus cargos à disposição e convocaram uma assembleia-geral extraordinária electiva para o prazo de 60 dias.
A direcção demissionária ainda realizou um encontro com o director-geral dos Desportos, Anildo Santos, e o Governo enviou um pedido à FIBA-África para avaliar a possibilidade de se integrar a selecção sénior masculino do arquipélago nas eliminatórias.
Na passada sexta-feira, 17,  o membro do departamento africano da Federação Internacional de Basquetebol (FIBA-África) Henry Gomes confirmou que o pedido foi aceite e que Cabo Verde tem até a próxima segunda-feira, dia 20, para confirmar a participação no apuramento para a prova máxima de selecções de basquetebol em África.
O responsável da FIBA-África avançou que as eliminatórias vão acontecer em dois mini campeonatos, o primeiro de 17 a 19 de Março, em Bamako (Mali), e o segundo de 24 a 26 de Março, em Dakar (Senegal).
A Guiné-Conacri será a outra equipa da Zona II Africana a participar no torneio qualificativo.
Henry Gomes salientou que se Cabo Verde tivesse participado o seu interesse desde o início, seria realizado um sorteio com jogos em casa e fora, mas agora será o país a adaptar-se ao figurino de grupos de quatro, mas que inicialmente foi programado a três selecções.
Os dois vencedores do conjunto dos dois mini campeonatos qualificam-se para o Afrobasket, que será disputado de 19 a 30 de Agosto em Brazzaville, no Congo.
Fonte: Inforpress