A treinadora e selecionadora da Ginástica Rítmica de Cabo Verde faz balanço positivo dos 25 anos da carreira desta modalidade no país, mas apela a um maior envolvimento da sociedade civil, das instituições e na criação de leis que incentivem e promovam esse desporto em Cabo Verde.


Em declarações à Inforpress, a propósito dos 25 anos de carreira como treinadora de Ginástica Rítmica em Cabo Verde, Elena Atmacheva enaltece os ganhos alcançados até então, mas defende a necessidade de “mudança de atitudes” e “criação de melhores condições de trabalho” para que esta modalidade alcance outros patamares, tanto a nível nacional como a nível internacional.
“Já tivemos tempos melhores na Ginástica Rítmica em Cabo Verde, mas a situação está difícil agora por diversos motivos. A nova geração de atletas ainda não está a levar a ginástica a sério, treina sem qualquer objectivo, e sabemos que na vida, temos que lutar para alcançar os nossos objectivos”, realçou, salientando que a falta de responsabilidade, disciplina e a insuficiência de reduzidos recursos financeiros têm sido os principais “constrangimentos” que esta modalidade desportiva vem enfrentando com o passar dos anos.
Entretanto, Atmacheva afirma que em termos de compromissos e competições, Cabo Verde ainda “gatinha” a nível do desporto mundial, pois, conforme explicou, ainda se vive o desporto como uma “diversão” ou “passatempo” no país, enquanto em outras paragens do mundo, o desporto é vivido a sério, como uma profissão.
“Já subimos ao pódio dos jogos africanos, trouxemos medalhas do campeonato africano, não me recordo no total quantos trofeus já trouxemos, porque eu costumo virar a página... Ganhar é bom mas precisamos continuar a trabalhar e não concentrar-se nas vitórias, mas sim nos desafios que temos que enfrentar após cada competição”, enfatizou.
Elena Atmacheva disse, por outro lado, que é preciso formar técnicos, treinadores, dirigentes e prepará-los para eventos do mais alto nível, e que as ginastas ou atletas de qualquer modalidade devem trabalhar intensivamente para obter resultados positivos.
Lembrou que apesar do apoio que a Ginástica Rítmica recebe por parte do ministério que tutela a pasta de desporto, e do Comité Olímpico, Cabo Verde não está totalmente “sensibilizado” e “preparado” para garantir uma medalha nas competições de alto nível como os Jogos Olímpicos.
Muitas alunas já passaram pelas minhas mãos e das que representaram Cabo Verde, destacaria Telma Ramos e Vânia Monteiro, que chegaram ao mais alto nível de competições, mas agora essas competições representam para Cabo Verde uma “oportunidade” de participar e ganhar mais experiencias” frisou, acrescentando que a falta de um espaço adequado para realizar os treinos, e a dificuldade de implementar a ginástica rítmica nas outras ilhas, representam ainda um desafio enorme à federação.
No que tange aos compromissos da Ginástica Rítmica, avançou que, a federação vai organizar no mês de Julho, o campeonato nacional, em que cada associação que já realizou competições regionais, vai participar com representante neste certame.
A nível internacional, disse que Cabo Verde tem neste momento, duas ginastas que estão a preparar – se para Jogos Olímpicos de Rio 2016 e Campeonato Africano.
Elena Atmatcheva nasceu na Rússia, está em Cabo Verde desde 1991, tendo na altura ingressado na Comissão Nacional de Ginástica, para dar continuidade aos trabalhos da professora de ginástica rítmica, Manuela Vieira.
Fonte: Inforpress