O presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol responsabilizou esta segunda-feira a federação portuguesa pelo atraso no pagamento de 78 mil euros em salários que levaram à saída de Rui Águas e do seu adjunto da seleção.


Em conferência de imprensa, Vítor Osório voltou a dizer que Rui Águas começou a trabalhar para Cabo Verde em maio de 2014 e que o pagamento do salário deveria ser pago pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), "no âmbito de um acordo de cooperação entre as duas federações".

"Esse acordo foi verbal. Não há qualquer contrato escrito entre a Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF) e a FPF sobre o 'compromisso Rui Águas', assim como não há nenhum contrato escrito de trabalho entre a FCF e Rui Águas", disse o líder federativo, que substituiu Mário Semedo em abril de 2015.

Vítor Osório indicou que o valor corresponde a oito meses de salários em atraso, cabendo 45 mil euros a Rui Águas, que pediu demissão do cargo de selecionador a 01 de janeiro, e 33 mil euros ao seu adjunto, o também português Bruno Romão.

O dirigente diz que, um mês depois de ter assumido a presidência, começou a realizar ações junto da FPF em busca de solução para o problema, mas, "na impossibilidade de reduzir o contrato a escrito, foi acertado a manutenção do acordo".

"A situação desconfortável dos salários por liquidar ao Rui Águas (e ao seu assistente Bruno) pela FPF, levou que a FCF lhe fosse fazendo pagamentos para minimizar a situação de dificuldades económicas e financeiras da sua vida pessoal e familiar", prosseguiu.

Segundo Vítor Osório, a equipa técnica portuguesa recebeu o primeiro salário em outubro de 2014 e até outubro de 2015 a FCF pagou, "com recursos próprios", 102,5 mil euros, dos quais 66 mil a Rui Águas e 33,5 mil euros a Bruno Romão.

Vítor Osório explicou que, de junho a outubro de 2015, a FCF pagou ainda a totalidade dos prémios de jogo de qualificação e presença de Cabo Verde na Taça das Nações Africanas (CAN) de 2015, na Guiné Equatorial, para "compensar os atrasos no pagamento por parte da FPF".

O presidente da FCF recordou que, no jogo particular em que Cabo Verde venceu Portugal por 2-0, em março de 2014, foi acordado o pagamento de um prémio de 50 mil euros, verba que foi destinada a pagar os salários do Rui Águas pela FPF, mas "sem o conhecimento" da FCF.

O caso chegou ao conhecimento do governo cabo-verdiano, que através da ministra da Educação e Desporto, Fernanda Marques, se disponibilizou a ajudar a FCF a pagar os salários, desde que fosse solicitado pela FCF.

"Da parte da FCF já pagámos ao selecionador e ao seu assistente a quantia de 52.500 euros e já não temos capacidade para mais", revelou Vítor Osório, acrescentando que estas informações fazem parte do conteúdo da proposta enviada ao diretor-geral dos Desportos cabo-verdiano, Gerson Melo.

Segundo o presidente da FCF, Gerson Melo garantiu que a DGD está a tentar junto do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ) a resolução do assunto e que, até 08 de janeiro, terá uma decisão.

Garantindo que "agiu sempre nos superiores interesses do futebol cabo-verdiano, neste assunto frágil e muito complicado", Vítor Osório prometeu, porém, que fará "tudo" para que as dívidas sejam pagas à equipa técnica portuguesa.

O dirigente federativo propôs ainda ao Governo que passe a atribuir uma verba de seis mil euros mensais, a ficar celebrado num contrato-programa até 2018, para comparticipação nas remunerações da equipa técnica do país.

O novo selecionador de Cabo Verde será o professor Beto Cardoso, que terá um contrato de trabalho por escrito de quatro anos, informou Vítor Osório, garantindo que a nova equipa técnica será revista, recomposta e reforçada "nos próximos tempos".
Fonte:lusa