
7 defesas cruciais. 1 penálti defendido. 3 cobranças de grandes penalidades paradas. As estatísticas são impressionantes.
Michaely Bihina, guarda-redes das "Leoas Indomáveis" dos Camarões, foi eleita a Melhor em Campo no jogo contra Marrocos, válido para a meia-final da Taça das Nações Africanas Feminina de 2026.
Esta é a segunda vez consecutiva que recebe esta honra, depois de uma exibição com 9 defesas contra a Nigéria nos quartos de final.
Aos 22 anos, a guarda-redes das Leoas Indomáveis acaba de escrever o capítulo mais brilhante da sua carreira.
Num estádio fervilhante, perante 50 mil adeptos marroquinos, as Leoas Indomáveis lutaram de corpo e alma para garantir o seu lugar na final.
E, na defesa, erguia-se uma muralha. Durante 90 minutos, Marrocos pressionou intensamente. Onda após onda de ataques sucederam-se.
Bihina superou o desafio em todas as ocasiões, realizando três defesas cruciais para manter o marcador em 0-0.
Depois, chegou o momento decisivo: um penálti assinalado contra os Camarões. Silêncio. Concentração. Um salto. Penálti defendido.
O ímpeto de Marrocos foi instantaneamente interrompido.
A pressão aumentou, levando à disputa de grandes penalidades.
Mais uma vez, Bihina deixou a sua marca, ao defender três das cinco cobranças.
Por três vezes ela leu a trajetória. Por três vezes ela frustrou o destino da seleção anfitriã. Por três vezes ela manteve viva a esperança dos Camarões.
Duas partidas, dois feitos heróicos
A partida frente a Marrocos não foi um caso isolado de exibição brilhante.
Poucos dias antes, nos quartos de final contra a Nigéria, já tinha sido eleita a Melhor em Campo depois de realizar nove defesas monumentais.
Duas partidas decisivas, duas distinções.
Michaely Bihina tornou-se, assim, o símbolo de uma equipa que se recusa a desistir.
"Defrontámos a equipa da casa, apoiada por uma massa adepta fantástica. Mas resistimos firmes até ao fim. Quero agradecer às minhas colegas de equipa pelo espírito de entrega e a todo o povo camaronês pelo apoio", disse, com humildade, à saída do balneário.
Do Social FC du Mbam para fazer história
Aos 22 anos, Bihina recorda um percurso marcado pela garra: "Comecei a jogar muito cedo, com os rapazes, quando tinha quatro, cinco ou seis anos. Os meus pais queriam que me focasse primeiro nos estudos. Depois, algumas pessoas vieram dizer-lhes que devia tentar a minha sorte no futebol".
Ela treinou no Social FC du Mbam, jogou no Canon de Yaoundé e, em seguida, transferiu-se para o Éclair FC de Sa’a.
Depois, veio a mudança para Portugal, a sua primeira experiência longe da família:
"Foi difícil, o clima, a língua. Mas fui muito bem acolhida, ao lado da Dolly e de uma jogadora de Cabo Verde".
Não esperava ser convocada para a seleção nacional. Mas o trabalho árduo valeu a pena.
"Somos guerreiras. Somos uma equipa. Agradeço às minhas colegas de equipa, à equipa técnica e a todo o povo dos Camarões. Continuarei a lutar para vos dar orgulho e para trazer para casa aquela primeira estrela para os Camarões".
Marrocos tinha a vantagem de jogar em casa, o apoio dos adeptos e as estatísticas a seu favor. Os Camarões tinham uma guarda-redes em fase inspirada. E o futebol recompensou a coragem. Agora, a final aguarda-as. Com uma muralha humana na baliza, as "Leoas" podem sonhar com aquela primeira estrela.
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