
A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) deu um passo importante na sua oposição ao projecto "FIFA Forward Enterprise". Na quinta-feira, a entidade máxima do futebol europeu anunciou que poderá boicotar futuras edições do Mundial caso a FIFA avance com a implementação do plano.
A UEFA comunicou a sua decisão através de uma nota na sua conta no X. De acordo com o documento, foi realizada uma reunião entre a organização e as associações nacionais europeias; o texto indica que existe um consenso unânime em toda a Europa sobre o assunto.
"O Mundial não está à venda", insiste a UEFA, afirmando defender um legado que atravessa gerações. "Representa um dos maiores legados desportivos do futebol. Construída ao longo de gerações por jogadores, seleções e adeptos de todos os continentes, nunca deveria ser entregue a investidores privados. É irresponsável e inaceitável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e avançado até à fase de aprovação sem qualquer consulta significativa aos responsáveis pelo desporto. Esta não é apenas uma grave falha de liderança, mas um abandono, por parte da FIFA, da sua missão como guardiã do futebol mundial", lamentou a entidade europeia.
A UEFA esclarece que a sua "oposição vai muito para além do processo em si". A entidade acredita que abrir as portas aos acionistas teria impacto no jogo — a própria essência do futebol. Como refere a organização: "a rentabilidade comercial torna-se uma obrigação constante. As expectativas dos investidores transformam-se em pressão diária. Consequentemente, cada decisão sobre o calendário internacional, os formatos das competições e o futuro do futebol deixa de ser orientada pelos interesses do jogo para ser orientada pelos interesses dos acionistas".
A posição adoptada pela organização e pelas suas associações-membro é, por isso, inequívoca. Exige que a FIFA abandone por completo estas propostas e dê prioridade aos interesses do futebol.
"Jamais legitimaremos este modelo." Ninguém tem autoridade moral para vender algo que é mantido em confiança para as gerações futuras. Após as discussões de hoje, nenhuma selecção nacional ligada à UEFA participará em competições da FIFA enquanto estas propostas estiverem em cima da mesa — a menos que a proposta seja totalmente abandonada e sejam oferecidas garantias vinculativas de que a FIFA nunca abrirá a sua governação ou competições à propriedade privada.
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